PARA FORMAR UM LEITOR, LEIA COM AFETO

PARA FORMAR UM LEITOR, LEIA COM AFETO

A leitura vai muito além do contato com o livro. Para desenvolvê-la, devemos começar cedo: desde a gravidez, período em que, para o bebê, o ritmo e a voz da mãe tornam-se os elementos mais ricos de qualquer narrativa.

Mas como desenvolve um futuro leitor? Por que será que os bebês se encantam ao ouvir uma história, especialmente se for de alguém que eles reconhecem?

A seguir, explicamos como o indivíduo compreende a leitura desde a barriga da mãe, traçando assim, com o passar dos anos, seu percurso de independência como leitor.

Os bebês já percebem sons e ruídos por volta do terceiro mês de gestação. No quinto mês começam a distinguir a voz da mãe. Até mesmo sinais de relaxamento são detectados, como batimentos cardíacos reduzidos, quando ouvem música clássica, por exemplo.

Mas, então, o que ler para o bebê que ainda está na barriga? A resposta é simples: o que faz bem à mãe. Afinal é isso que será compartilhado com ele, um sentimento de bem estar, que muito provavelmente será transmitido em forma de voz doce e lembranças boas, provocando sensações de acolhimento.

Adivinhas, textos rimados e cantigas são ótimas opções para mãe e filho estabelecerem uma relação a partir da palavra, que não seja somente pelos livros e pela leitura, mas pelo som afetivo que mais para frente será associado a um grande prazer durante a experiência de leitura.

BEBÊ LEITOR

Consideramos pré-leitores crianças de até 3 anos – idade em que começam, na maior parte dos casos, a desenvolver a linguagem oral.

Ritmo e entonação são muito importantes para o bebê pré-leitor. Por isso, estruturas de repetição presentes em parlendas, quadrinhas, cantigas e histórias de acumulação são ótimas companhias.

Previsíveis, elas transmitem segurança às crianças, que antecipam a história lida.

É o caso das onomatopeias – palavras inventadas para imitar sons naturais, como chuá-chuá, tique-taque, atchim, etc. -, que, por sua simplicidade fonética, ajudam a criança a usar a linguagem. É através do som que ela começa a compreender o que cada palavra pode significar: perigo, ironia, graça, entre outros.

Aos 2 anos, a criança começa a falar. É nessa fase que ela também começa a narrar em palavras seu jeito de organizar o mundo a partir do que aconteceu, do que acontece, do que pode acontecer e daquilo que ela gostaria que acontecesse, mas que talvez seja impossível. Assim que se inicia o faz de conta e jogo simbólico. Esse é um bom momento para retomar ou iniciar a leitura de narrativas. Afinal, o que é a literatura senão uma grande oportunidade de inventar e viver outras realidades?

LEITOR INICIANTE

Assim podemos chamas as crianças que estão começando a alfabetização. Esse é um processo complexo, que depende das particularidades de cada criança e que, geralmente, tem início aos 6 anos de idade. Segundo a Base Nacional Comum Curricular, a alfabetização deve acontecer nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental.

Textos de tradição oral, trava-línguas, repetições, poemas e aqueles gêneros em que a criança se apoia mesmo sem ler, como os contos, e dos quais domina diálogos conhecidos são boas opções neste momento. Um exemplo? As falas de Chapeuzinho e do Lobo mau no final da história, com uma estrutura repetitiva simples e fácil de memorizar, em que apenas as partes do corpo e suas respectivas habilidades vão mudando.

Essa previsibilidade, que já foi tão importante para o bebê, nesta fase leitora faz com que a criança leia com mais facilidade e possa ter um pouca mais de autonomia. Isso é bem interessante pois a criança pode fazer conexões e formular hipóteses sobre a escrita, com base no conhecimento que ela já tem sobre a língua e a linguagem.

LEITOR AUTÔNOMO

A criança que passou pelos processos anteriores tem uma capacidade maior de escuta, e assim é capaz de ler e compreender com autonomia, ou seja, ler sozinha e com fluência.

LEITOR INDEPENDENTE

Algumas crianças já têm um repertório de leitura que possibilita a elas comparar autores, estilos, perceber semelhanças e diferenças nos elementos da história, além de prever algumas estruturas.

Em relação a linguagem, estamos falando de um leitor que já entende bem os termos abstratos e as linguagens figuradas, de forma que seu olhar (ou sua leitura) ganha refinamento.

Quer trilhar um caminho leitor? Independentemente da idade, o ingrediente principal você já tem: interesse. Leia aquilo que lhe faz bem, busque temas ou estilos que lhe agradam, leia textos variados, que transmitam afeto.

Fontes: Denise Guilherme (A TABA), Aprender Linguagem (Laboratório de Educação) e A pequena história dos bebês e dos livros (Instituto Emília).

 

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